Aves vítimas do tráfico resgatadas ou entregues de forma voluntária em Tocantins passam por um processo de reabilitação antes de serem devolvidas à natureza. As espécies que mais chegam no Centro de Fauna são as araras, os papagaios e os periquitos.

 

“Elas precisam passar por reabilitação alimentar e comportamental, pois chegam comendo comida inadequada e com comportamento estereotipado, como imitar sons de outros animais e pessoas. Mas, a grande maioria é passível de retorno ao meio natural”, explicou a responsável pelo departamento de Fauna, Grasiela Pacheco.

De janeiro a agosto, 159 araras foram recebidas pelo centro. O maior resgate de aves silvestres feito em 2018 salvou do tráfico ararajubas, araras vermelhas, papagaios e curiós, que foram encontrados no Pará e repatriados ao Tocantins.

Para que sejam devolvidos ao habitat, os animais precisam reaprender a encontrar o próprio alimento, conhecer predadores e evitar a aproximação com pessoas.

“Para voar, têm que ter as penas das asas e musculatura desenvolvida e as penas demoram para crescer e quanto mais tempo demoram pra serem soltas menos chances têm de sucesso. O mais relevante para nós é que durante a reabilitação o animal possa desempenhar seu comportamento natural. Por exemplo, se é natural voar, precisa ter condições para isso. Se o comportamento natural for comer buriti, que possa ter bicos fortes e identificar o fruto característico”, disse Grasiela.

O biólogo Silionamã Dantas lembra do risco que as espécies correm devido ao tráfico. Segundo ele, os resgates representam muito pouco diante do real número de animais traficados.
“No ritmo que estamos, logo teremos mais espécies à beira da extinção. Pois, além da retirada dos indivíduos e da sua prole, retiram animais filhotes e jovens, então a população que permanece na natureza está se tornando senil e consequentemente diminui as posturas, agravando o declínio da população e a extinção da espécie”, afirmou o especialista.

Traficar animais é crime ambiental passível de multa de R$ 500 se o animal não for ameaçado de extinção e de R$ 5 mil caso seja.

Denúncias podem ser feitas através do telefone 0800 63 1155. A população do Tocantins pode, ainda, acionar o monitoramento da equipe de fauna e notificar a localização de um ninho, para que ele seja protegido, por meio do telefone 63 3218-2677 ou por email [email protected]

Fonte: ANDA